Você já percebeu que as melhores experiências com tecnologia são aquelas que simplesmente funcionam? Quando tudo flui, você realiza a tarefa e segue a vida. Mas quando algo trava, confunde ou exige esforço excessivo, a experiência se torna visível e frustrante.
Essa reflexão foi o ponto de partida de um bate-papo entre Érico Fileno, diretor de Design do Grupo Boticário e ex-diretor executivo de Experiência Digital no Banco Itaú (Chile), e Aguilar Selhorst, professor e coordenador do curso de UX Design da PUCPR. A conversa percorreu mercado, carreira e, sobretudo, a essência do User Experience.
Se você se interessa por tecnologia, design e comportamento humano, este artigo reúne os principais aprendizados desse encontro.
Boa leitura.
A Experiência Invisível
O título não é um paradoxo. Segundo Érico Fileno, o UX atinge seu nível máximo quando se torna imperceptível. O papel do designer é eliminar atritos.
Um bom exemplo é a evolução do dinheiro.
Primeiro, o papel-moeda: físico, visível, contável.
Depois, o cartão: ainda físico, mas mais ágil.
Hoje, pagamentos por celular ou relógio: rápidos, quase automáticos.
Quando a jornada flui naturalmente, o usuário não precisa pensar na interface. Ele apenas resolve o que precisa. Isso é UX bem-feito.
Muito Além do “Botão Bonito”
Um dos mitos mais comuns da área é acreditar que UX se resume à estética. Embora o visual seja importante para credibilidade e conforto, ele representa apenas uma parte do trabalho.
O verdadeiro UX acontece nos bastidores e envolve compreender:
- O que acontece antes de o usuário abrir o aplicativo?
- Em que contexto ele está?
- O que ele sente depois da interação?
Érico compartilhou um exemplo marcante de um projeto para a Caixa Econômica Federal, voltado a usuários com baixo letramento digital. A solução não foi criar uma interface sofisticada, mas utilizar formas geométricas simples e cores primárias para orientar a navegação.
Isso é empatia aplicada ao design. Isso é acessibilidade.
Quem é o Profissional de UX?
Você não precisa ser um desenhista exímio para atuar na área. O profissional de UX é, antes de tudo, um solucionador de problemas.
Algumas características são fundamentais:
- Curiosidade: questionar constantemente o “por quê” e o “como melhorar”.
- Atenção aos detalhes: pequenas interações impactam toda a experiência.
- Altruísmo: o design não é sobre o ego do criador, mas sobre servir ao outro.
E se eu vier de outra área?
Arquitetos, psicólogos, profissionais de marketing, saúde ou tecnologia não abandonam sua bagagem ao migrar para UX, eles a ampliam.
A área se beneficia diretamente da diversidade de repertórios. Diferentes olhares geram soluções mais completas, humanas e eficazes. Por isso, transições de carreira para UX são comuns e valorizadas.
Faculdade ou Autodidata? O Papel da Curadoria
Com tanto conteúdo gratuito disponível, por que investir em uma graduação?
Segundo o professor Aguilar Selhorst, a universidade funciona como um atalho qualificado. Aprender sozinho é possível, mas costuma ser caótico e lento.
A formação acadêmica oferece:
- Método: uma sequência lógica de aprendizado.
- Curadoria: distinção entre o que é essencial e o que é ruído.
- Fundamentos sólidos: ferramentas mudam; fundamentos de design e pesquisa permanecem.
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Como medir o sucesso do invisível?
Se o bom UX “não é percebido”, como demonstrar seu valor para as empresas?
A resposta está nos dados:
- Tempo de tarefa: se um processo cai de 12 para 5 minutos, você economizou tempo de vida do usuário.
- NPS e métricas de satisfação: indicam recomendação e confiança.
- Dados de suporte e call center: reclamações recorrentes são sinais claros de problemas de experiência e oportunidades de melhoria.
UX é uma área que conecta tecnologia, negócios e psicologia. Não se trata apenas de telas, mas de facilitar a vida das pessoas por meio de decisões inteligentes.
Como resumiu Érico Fileno:
“O melhor design é aquele que serve ao outro.”
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